De acordo com Kelsem Ricardo Rios Lima, a mobilidade urbana está passando por uma transformação profunda, impulsionada por avanços tecnológicos, mudanças de comportamento e novas demandas sociais. Nesse cenário, “O futuro do volante” deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para se tornar uma discussão estratégica sobre como pessoas, cidades e sistemas de transporte irão se organizar nas próximas décadas.
O modo como você se desloca pode mudar mais nos próximos anos do que mudou nas últimas décadas. Entenda o que está por trás dessa revolução e prepare-se para um mundo em que dirigir pode virar escolha, não obrigação.
O futuro do volante depende apenas da tecnologia?
Quando se fala em “O futuro do volante”, é comum imaginar que tudo se resume a automóveis autônomos altamente sofisticados, sensores avançados e inteligência artificial. De fato, a tecnologia é um pilar central dessa transformação, mas ela não atua sozinha. Sistemas de direção assistida, frenagem automática, controle adaptativo de velocidade e leitura de faixa já são exemplos de como a condução vem sendo gradualmente transferida do ser humano para o software.
No contexto dessa evolução, o futuro do volante envolve uma transição progressiva, e não uma ruptura imediata. Em vez de simplesmente “tirar o motorista da equação”, a indústria vem adotando níveis intermediários de automação, nos quais o condutor ainda participa, mas com apoio crescente de sistemas inteligentes. Segundo Kelsem Ricardo Rios Lima, isso permite testar soluções, ajustar regulações e preparar os usuários para um novo papel dentro do veículo.
Além disso, fatores como legislação, infraestrutura viária e aceitação social têm peso tão grande quanto os avanços técnicos. Não basta que o carro seja capaz de dirigir sozinho; é preciso que as vias estejam preparadas, que as normas permitam essa operação e que as pessoas confiem no sistema. A tecnologia abre o caminho, mas o ritmo da mudança depende de um ecossistema muito mais amplo.
Se dirigir deixar de ser obrigatório, o que muda para as pessoas?
A possibilidade de tornar a direção opcional altera profundamente a experiência cotidiana de deslocamento. O tempo gasto no trânsito, que hoje é visto como improdutivo e estressante, pode se transformar em um período de trabalho, descanso ou entretenimento. O interior do veículo tende a se parecer cada vez menos com um posto de comando e mais com um espaço multifuncional.

Outro impacto relevante destacado por Kelsem Ricardo Rios Lima, está na inclusão. Pessoas que hoje têm dificuldade ou não podem dirigir, como idosos, pessoas com deficiência ou indivíduos sem habilitação, passam a ter maior autonomia de mobilidade. Isso amplia o acesso a serviços, oportunidades de trabalho e atividades sociais, reduzindo barreiras que antes limitavam a participação de muitos grupos na vida urbana.
As cidades estão preparadas para um mundo onde dirigir é opcional?
A transformação do papel do motorista exige uma reconfiguração das cidades. Sistemas de tráfego inteligente, comunicação entre veículos e infraestrutura conectada tornam-se fundamentais para que a automação funcione com segurança. Sem semáforos inteligentes, sinalização adequada e redes de dados confiáveis, o potencial dos veículos autônomos fica limitado.
Com isso, a redução da necessidade de condução humana pode impactar o planejamento urbano. Estacionamentos podem ser redimensionados, já que veículos autônomos podem circular ou se deslocar para áreas periféricas quando não estão em uso. Isso libera espaço em regiões centrais para áreas verdes, habitação ou equipamentos públicos, alterando a dinâmica das cidades.
No entanto, Kelsem Ricardo Rios Lima pontua que esse cenário também traz desafios. A transição entre veículos tradicionais e automatizados precisa ser gerida com cuidado, evitando conflitos e riscos. Questões éticas, responsabilidade em caso de acidentes e proteção de dados dos usuários também entram na pauta. Assim, a preparação das cidades não é apenas técnica, mas envolve governança, regulamentação e planejamento de longo prazo.
Autor: Lyudmila Antonova

