Parceria entre Google, Senacon e Secretaria de Direitos Digitais cria sistema de verificação de anunciantes para reduzir fraudes na publicidade digital do setor financeiro.
A publicidade digital de produtos e serviços financeiros ganhou novas regras no Brasil. O acordo foi firmado entre a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi) e o Google, e anunciado em 17 de julho. A medida busca reduzir a circulação de anúncios ligados a golpes financeiros, um problema que cresce junto com a digitalização dos investimentos e do crédito no país.
Muitos leitores devem se perguntar como, na prática, o Google vai identificar quem pode ou não anunciar produtos financeiros na plataforma. A resposta está em um sistema de checagem que passa a valer para bancos, corretoras, fintechs e demais instituições reguladas, e que promete mudar o dia a dia de quem contrata publicidade nesse setor.
Como funciona a verificação de anunciantes financeiros
Segundo o Meio & Mensagem, o plano prevê que empresas interessadas em anunciar produtos financeiros regulados no Google terão de comprovar sua identidade e demonstrar existência legal perante os órgãos competentes. Também será necessário apresentar autorização para atuar no mercado regulado e confirmar legitimidade para representar a instituição anunciada, etapa que hoje muitas vezes não é exigida com o mesmo rigor.
Depois de concluído esse processo, o anunciante pode receber o status de anunciante financeiro verificado, um selo que passa a ser condição obrigatória para veicular campanhas relacionadas a investimentos, empréstimos, seguros e outros serviços do gênero. A ideia é simples: sem o registro, a publicidade não é aprovada.
Caso a instituição não conclua as verificações exigidas, perca a autorização regulatória ou apresente indícios de fraude, o Google poderá suspender ou revogar o status concedido e restringir a exibição das campanhas. Esse tipo de resposta rápida é visto como um dos pontos centrais do acordo, já que fraudes financeiras costumam se espalhar com velocidade nas redes.
Por que a mudança acontece agora
O acordo não surgiu isolado. Ele segue as diretrizes de um decreto que atualiza o Marco Civil da Internet, editado pela Presidência da República em maio deste ano, que estabelece a possibilidade de responsabilização das plataformas digitais quando anúncios fraudulentos circulam sem que medidas de prevenção e remoção sejam adotadas.
Esse contexto regulatório ajuda a explicar por que uma empresa como o Google decidiu formalizar um compromisso com órgãos do governo federal. Nos últimos anos, o volume de golpes envolvendo falsas corretoras, fintechs inexistentes e páginas clonadas de bancos cresceu de forma expressiva, prejudicando tanto consumidores quanto instituições financeiras legítimas que têm sua marca usada sem autorização.
Ao vincular a veiculação de anúncios a uma verificação prévia, o governo espera reduzir esse tipo de prática antes mesmo que o anúncio fraudulento chegue ao usuário final. Trata-se de uma mudança de postura: em vez de remover o conteúdo depois que o dano já ocorreu, a lógica passa a ser evitar que ele seja publicado.
O que muda para empresas e consumidores
Para as instituições financeiras que já anunciam de forma regular, o principal impacto deve ser burocrático: será preciso reunir documentação e passar pelo processo de checagem antes de continuar veiculando campanhas. Empresas que atuam de forma irregular, por outro lado, tendem a ficar de fora do sistema, o que pode reduzir sua capacidade de alcançar novos clientes por meio da publicidade paga.
O acordo também prevê que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, junto com órgãos reguladores, crie um cadastro oficial com informações das instituições autorizadas a operar no mercado financeiro. Esse cadastro funcionará como referência para o próprio Google comparar dados antes de aprovar qualquer campanha, o que deve tornar o processo de verificação mais consistente ao longo do tempo.
Para o consumidor, a expectativa é encontrar menos anúncios de investimentos milagrosos, empréstimos sem comprovação de renda ou corretoras que simplesmente não existem. Ainda assim, especialistas em segurança digital costumam recomendar cautela mesmo diante de anúncios aparentemente verificados, já que nenhum sistema de checagem elimina por completo o risco de fraude.
A implementação da verificação deve ocorrer de forma gradual, e o próprio acordo indica que ajustes podem surgir conforme o sistema for testado na prática. Até lá, quem trabalha com marketing financeiro no Brasil já pode começar a organizar a documentação exigida, para evitar interrupções nas campanhas em andamento. O tema deve continuar em pauta nos próximos meses, à medida que o cadastro oficial for estruturado e novas etapas do acordo forem detalhadas pelas partes envolvidas.
Fontes:
(Google e regras de anúncios financeiros):
Governo e Google alteram regras de anúncios financeiros – Meio & Mensagem

