Pesquisa da Toluna mostra que mais de um quarto dos brasileiros pretende reduzir o tempo em plataformas como Instagram, Facebook e TikTok.
O excesso de tempo conectado às redes sociais entrou na lista de metas que os brasileiros querem mudar em 2026. É o que revela uma pesquisa da Toluna, divulgada pelo Meio & Mensagem, que ouviu cerca de 800 pessoas no país sobre suas resoluções para o novo ano. O levantamento aponta que 27% dos entrevistados pretendem diminuir o tempo de tela em redes sociais, um sinal de que a chamada fadiga digital deixou de ser um termo de nicho e passou a fazer parte do vocabulário do brasileiro comum.
Diante desse número, é natural perguntar quais plataformas concentram essa vontade de desconexão e o que isso pode significar para quem trabalha com conteúdo, marketing e comunicação digital no país. Os dados da pesquisa ajudam a entender esse movimento com mais clareza e mostram que o cansaço com as telas não afeta todas as redes da mesma forma.
O que revela a pesquisa da Toluna sobre o uso de redes sociais
De acordo com o Meio & Mensagem, a Toluna consultou os respondentes entre 17 e 18 de dezembro de 2025, e o resultado mostra o Instagram como principal alvo dessa vontade de redução: 65% das pessoas que pretendem diminuir o tempo de tela citaram a plataforma da Meta. Facebook aparece em seguida, mencionado por 52% dos respondentes, seguido por TikTok, com 45%, YouTube, com 42%, e X, com 31%.
Esse ranking chama atenção porque o Instagram segue sendo, ao mesmo tempo, uma das redes mais usadas pelos brasileiros no dia a dia. A combinação entre alto uso e alto desejo de redução sugere que o problema não está necessariamente na plataforma em si, mas na forma como o consumo de conteúdo tem se tornado, para parte do público, algo mais automático e menos satisfatório ao longo do tempo.
A pesquisa também mostra que 64% dos brasileiros estipularam algum tipo de meta para o novo ano, com maior concentração entre pessoas de 18 a 34 anos, faixa etária em que 69% afirmaram ter definido objetivos para 2026. Isso indica que a preocupação com o tempo de tela está mais presente justamente entre o público mais jovem, historicamente também o mais ativo nas redes sociais.
Por que o cansaço com as telas cresce entre os brasileiros
Um dado interessante do levantamento é que, apesar do entusiasmo em criar metas, o cumprimento delas costuma ser baixo. Segundo a pesquisa, 75% dos brasileiros fizeram resoluções para 2025, mas apenas 21% afirmaram tê-las cumprido integralmente, enquanto 72% disseram ter alcançado apenas parte do que haviam planejado. Esse histórico ajuda a entender por que o tema da redução do uso de redes sociais é tratado com cautela por quem acompanha comportamento digital.
Reduzir o tempo em redes sociais aparece ao lado de outras metas mais tradicionais na lista de resoluções dos brasileiros para 2026. A prática de atividade física regular lidera as intenções, citada por 67% dos respondentes, seguida por alimentação saudável, com 64%. Viajar mais aparece com 53%, perder peso com 45%, e passar mais tempo de qualidade com família e amigos e cuidar melhor das finanças empatam com 42% cada.
Essa lista mostra que a vontade de reduzir o tempo em redes sociais caminha junto com outras mudanças ligadas a bem-estar e qualidade de vida, e não como uma meta isolada. Para especialistas em comportamento digital, esse tipo de associação costuma refletir uma percepção mais ampla de que o tempo de tela excessivo interfere em outras áreas da rotina, como sono, atividade física e convívio social.
O que esse movimento representa para o mercado de mídia e marketing
Para marcas, agências e veículos de comunicação, esse tipo de dado funciona como um alerta sobre a necessidade de repensar a forma como o conteúdo é produzido e distribuído nas redes. Se uma parcela relevante do público diz querer passar menos tempo em plataformas como Instagram e Facebook, a competição por atenção tende a ficar ainda mais acirrada entre as marcas que seguem apostando nesses canais como prioridade de investimento.
Esse cenário também abre espaço para formatos que exigem menos tempo contínuo de atenção, como vídeos curtos, ou para estratégias que priorizam qualidade de interação em vez de volume de publicações. Marcas que conseguirem se comunicar de forma mais direta e objetiva podem se beneficiar justamente do momento em que parte do público busca reduzir o consumo de conteúdo considerado excessivo ou repetitivo.
Vale lembrar que a intenção de reduzir o uso de redes sociais nem sempre se traduz em mudança de comportamento efetiva, como mostram os próprios dados da Toluna sobre o cumprimento de metas em anos anteriores. Ainda assim, o simples fato de o tema aparecer entre as prioridades de boa parte dos brasileiros já é um indicativo relevante para quem planeja estratégias de comunicação digital ao longo de 2026, sinalizando que o consumidor está mais atento ao próprio tempo de tela do que em anos anteriores.
Fontes:
Brasileiros pretendem diminuir uso de redes sociais em 2026 – Meio & Mensagem

