Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra diferença expressiva na exposição das campanhas e reforça o peso das redes sociais na disputa presidencial
A disputa pela Presidência da República também está sendo travada pela atenção dos eleitores nas redes sociais. Pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada em 24 de agosto, mostra que as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro possuem exposição significativamente maior do que as de candidatos que tentam construir espaço fora dos dois principais polos. O levantamento perguntou aos entrevistados se haviam tido contato com vídeos, fotos, publicações em redes sociais ou panfletos relacionados às diferentes candidaturas. (itatiaia.com.br, veja.abril.com.br)
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados nesse indicador: 53% dos entrevistados disseram ter visto materiais de cada uma das duas campanhas. Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem bem abaixo, ambos com 30%. Renan Santos alcança 23%, enquanto Augusto Cury registra 12%. Os resultados mostram que, antes mesmo de convencer o eleitor, candidatos menos expostos enfrentam uma dificuldade básica: fazer com que suas mensagens sejam vistas. (itatiaia.com.br)
Lula e Flávio concentram maior exposição das campanhas
A pesquisa indica que 70% dos entrevistados tiveram contato com material de pelo menos uma candidatura. Ao mesmo tempo, 31% disseram não ter visto conteúdo de nenhum candidato, enquanto 36% tiveram contato com materiais de uma a três campanhas. Outros 25% afirmaram ter visto conteúdos relacionados a quatro até seis candidatos. (itatiaia.com.br)
Somente 9% dos entrevistados relataram contato com materiais de sete ou mais campanhas. O resultado ajuda a dimensionar a disputa por atenção em um ambiente no qual diferentes candidaturas competem não apenas entre si, mas também com entretenimento, notícias, influenciadores e inúmeras outras publicações que circulam diariamente nas plataformas digitais.
A distância entre os principais candidatos e os demais fica clara quando são analisados individualmente. Lula e Flávio chegam a 53% de exposição, enquanto Caiado e Zema aparecem com 30%. Renan Santos registra 23%, demonstrando que a presença das candidaturas fora dos dois principais polos ainda não alcançou parcela semelhante do eleitorado. (itatiaia.com.br)
O levantamento também incluiu Pablo Marçal, que aparece com 31% de exposição aos conteúdos, apesar de permanecer inelegível segundo a cobertura da pesquisa. A presença digital demonstra que alcance e condição eleitoral são dimensões diferentes. Um nome pode continuar circulando intensamente nas redes mesmo quando existem obstáculos jurídicos à participação na disputa. (itatiaia.com.br)
Exposição nas redes não significa necessariamente intenção de voto
Um dos cuidados necessários na interpretação da pesquisa é que ser visto não significa conquistar voto. O levantamento mede o contato dos entrevistados com materiais das campanhas, incluindo vídeos, fotografias, publicações em redes sociais e panfletos. Portanto, o indicador ajuda a medir exposição, mas não significa necessariamente aprovação ou identificação com determinada candidatura. (itatiaia.com.br)
A própria pesquisa mostra essa diferença ao perguntar quais campanhas produziram maior impacto visual entre os entrevistados que haviam visto algum material. Flávio Bolsonaro foi citado em primeiro ou segundo lugar por 57%, enquanto Lula chegou a 56%. Caiado aparece com 10%, e Zema e Renan Santos registram 8% cada. (itatiaia.com.br)
Quando a pergunta muda para a campanha com a qual o eleitor mais se identificou, os percentuais também se modificam. Lula aparece com 46% das menções em primeiro ou segundo lugar e Flávio com 44%. Caiado alcança 14%, Zema fica com 12% e Renan registra 9%, reforçando a diferença entre simplesmente alcançar uma pessoa e conseguir produzir identificação política. (itatiaia.com.br)
Esse cenário ajuda a explicar por que as estratégias digitais se tornaram tão importantes para campanhas eleitorais. O primeiro desafio é conquistar espaço no fluxo de informações recebido pelo eleitor. Depois disso, candidatos precisam transformar visibilidade em interesse, identificação e eventualmente intenção de voto, etapas que não acontecem automaticamente apenas porque determinado conteúdo alcançou muitas pessoas.
Redes sociais ampliam peso da disputa pela atenção do eleitor
A dificuldade dos candidatos fora dos principais polos permanece mesmo entre parcelas do eleitorado menos identificadas com a polarização. Entre os entrevistados classificados pela Nexus como “anti-Lula e anti-Bolsonaro”, 30% afirmaram ter visto materiais de Caiado, 28% de Zema e 24% de Renan Santos. Mesmo nesse grupo, Lula e Flávio chegaram a 52% de exposição cada. (itatiaia.com.br)
Entre os eleitores considerados não polarizados, a diferença continua relevante. Cerca de 46% tiveram contato com materiais da campanha de Lula e 42% com conteúdos relacionados a Flávio Bolsonaro. Zema aparece com 21%, Caiado com 20% e Renan Santos com 16%. Os números indicam que a maior presença dos dois principais polos ultrapassa seus próprios grupos de apoiadores. (itatiaia.com.br)
A força das redes sociais também modifica a relação entre campanhas e meios tradicionais de comunicação. Um exemplo apareceu após o primeiro debate presidencial de 2026: mesmo ausentes do encontro, Lula e Flávio dominaram as conversas relacionadas aos presidenciáveis em grupos públicos monitorados de WhatsApp e Telegram. Isso mostra como uma candidatura pode continuar ocupando espaço no debate digital mesmo sem participar diretamente de um evento televisivo. (noticias.uol.com.br)
Para candidatos que tentam construir uma alternativa aos principais polos, o desafio passa a envolver alcance, frequência e capacidade de produzir conteúdos adaptados às diferentes plataformas. Instagram, TikTok, YouTube, X, WhatsApp e outras redes possuem formatos e públicos distintos. Uma estratégia eficiente em vídeos curtos, por exemplo, pode não produzir os mesmos resultados em outra plataforma.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus ouviu 2.006 eleitores por telefone entre 21 e 23 de agosto, com participação das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026. (itatiaia.com.br, cnnbrasil.com.br)
Os dados colocam a visibilidade digital como uma das variáveis importantes da campanha de 2026. Lula e Flávio Bolsonaro não aparecem apenas à frente dos adversários em exposição; seus conteúdos alcançam também eleitores que não se identificam diretamente com os dois campos. Para as candidaturas que buscam romper essa concentração, conquistar votos pode depender primeiro de vencer uma disputa anterior e cada vez mais difícil: conseguir espaço na tela e na atenção dos eleitores brasileiros.

