A Copa do Mundo de 2026 está confirmando uma tendência que o mercado de mídia já vinha observando há meses: a audiência se fragmenta entre TV aberta, canais por assinatura e plataformas digitais, mas sem que isso, por ora, derrube a hegemonia da televisão tradicional.
Segundo dados do Ibope/Kantar publicados entre os dias 11 e 15 de junho, a Globo segue na liderança em alcance de público durante o torneio. Na estreia da seleção brasileira contra Marrocos, em 13 de junho, a emissora atingiu 42 milhões de pessoas e registrou 51% de share, indicador que mede a fatia de televisores ligados em um canal no momento da transmissão. Poder360Poder360
Enquanto isso, no ambiente digital, outro nome se destaca. A CazéTV é a única plataforma com cobertura integral da Copa do Mundo no Brasil, transmitindo os 104 jogos do torneio, e ocupa a liderança global de audiência no YouTube, detendo 11 das 15 maiores transmissões da história da plataforma. No jogo entre Brasil e Marrocos, o canal de Casimiro Miguel registrou um pico estimado de 14 milhões de pessoas simultâneas, número baseado em co-view, metodologia que calcula a estimativa de espectadores por dispositivo conectado. Poder360
Convivência, não substituição
O que os números da Copa revelam é menos uma disputa direta e mais uma convivência entre formatos. Os dados indicam que o crescimento das plataformas digitais não esvaziou a TV aberta, mas distribuiu o consumo para novas telas. Na prática, o público que antes só tinha a opção da TV linear agora escolhe entre acompanhar o jogo pela emissora tradicional ou por uma transmissão paralela no streaming, muitas vezes com um tom mais descontraído e voltado ao público jovem. Poder360
Esse comportamento já vinha sendo identificado em pesquisas anteriores sobre o consumo de mídia no Brasil. No fechamento de 2025, dados da Kantar Ibope Media mostravam que a TV aberta seguia sendo o serviço mais consumido no país, com 55,8% da audiência total, enquanto as plataformas de vídeo online somavam 37,2%. Entre os ambientes digitais, o YouTube concentrava a maior parte do consumo, com 21,6% dos acessos totais, seguido por Netflix, com 5,6%, e TikTok, com 5%. Poder360Poder360
A diferença entre os dois mundos, porém, vem diminuindo de forma consistente. Levantamentos do início do ano mostravam que a TV aberta concentrava 57,9% da audiência total em janeiro de 2025 e caiu para 53,9% um ano depois, uma perda de quatro pontos percentuais em apenas doze meses, enquanto o streaming avançou de 33,9% para 39,4% no mesmo período. PortalRBV
O que esperar para o restante da Copa
Com a competição ainda em andamento, a expectativa do mercado é que esse padrão de audiência dividida se mantenha até as fases decisivas do torneio. Jogos com a seleção brasileira tendem a concentrar os maiores picos tanto na TV aberta quanto no streaming, repetindo o comportamento já observado na fase de grupos. Para emissoras e plataformas, a Copa funciona como um termômetro em tempo real de como o brasileiro está, de fato, consumindo conteúdo audiovisual em 2026.
Fontes:
- https://www.poder360.com.br/copa-2026/audiencia-na-copa-globo-lidera-na-tv-e-cazetv-no-digital/
- https://www.poder360.com.br/poder-midia/streaming-cresce-no-brasil-mas-tv-aberta-ainda-domina/
- https://portalrbv.com.br/noticias/brasil-e-mundo/brasil/streaming-avanca-e-pode-superar-tv-aberta-no-brasil-sz/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

